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Sindicación



Escarigo
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Escarigo

Escarigo é uma freguesia portuguesa do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, com 17,66 km² de área e 124 habitantes (2001). Densidade: 7,0 hab/km².

Situação geográfica

Escarigo, situa-se junto à fronteira com Espanha, na margem esquerda da Ribeira de Tourões, com nascente em Nave de Haver e desagua no rio Águeda, na zona mais ocidental do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Dispõe na actualidade, de bons acessos rodoviários às localidades espanholas mais próximas. Fica a 03 quilómetros de La Bouza, a 100 da cidade de Salamanca e a 300 de Madrid.

Em Portugal confina com as freguesias de Almofala e Vermiosa, a 03 e 05 km, respectivamente.

O seu topónimo deve ser proveniente de um nome pessoal Hispano-Visigótico “ASCARIUS” que se usou até finais do Século XI no noroeste peninsular.

A freguesia está muito bem apetrechada ao nível do saneamento básico, electricidade, telefone, e água ao domicílio, o que lhe confere, a esse nível uma excelente qualidade de vida. Conta ainda, com uma casa particular, especialmente preparada para o turismo de habitação rural, a “Casa do Ribeiro”.

História

Quanto à sua História, Escarigo, foi em tempos, um grande entreposto comercial, teve a indústria do linho, de chapéus, de sabão, a par de uma agricultura que ocupava uma boa parte da sua população residente. No entanto, as lutas pela restauração da independência em consequência da união dos reinos ibéricos, concretizada em 1580, ditariam o seu declínio sessenta anos depois, devido a várias circunstâncias, sendo especificamente apontadas, o temor da guerra e o facto dos seus habitantes teriam jurado fidelidade ao rei Filipe de Portugal e Espanha, no momento em que se desagregava a monarquia dualista então vigente.

Durante a Guerra da Restauração (1640 – 1668), a freguesia foi completamente arrasada, ficando apenas intacta a Igreja Matriz, por razões compreensíveis, (o cristianismo de ambas as partes em conflito), mais precisamente, em 17 de Outubro de 1642.

No “Numeramento” (sensos da população) de 1758 o pároco Manuel Ferreira da Silva escrevia”… que Escarigo já fora uma Lisboa – a pequena, terra de grandes tratos e fabriquetas e, que esse apelido tinha sido posto à então grande povoação pela gente mui numerosa e de grandeza que aqui vivia. Dizem que nesta terra assistiam os ministros que hoje governam a vila de Castelo Rodrigo e que na mesma havia homens cavaleiros e de distinção e muitos nobres e de grandes cabedais, assim em dinheiro como em fazendas… o que arruinara Escarigo fora esse tal 1640, que os grandes da terra, (ao tempo, designados de “sete capas de veludo”, por temor fronteiriço e pouca fé na pátria, se tinham logo largado correndo a Castela para reiterar obediência ao rei Filipe…”.

A Igreja Matriz de Escarigo é também conhecida por Igreja de S. Miguel. Este imóvel de interesse público, de planta longitudinal, tem nave única, sacristia e uma imponente torre sineira. Como características particulares destaca-se o tecto da capela-mor; os retábulos e o púlpito com talha dourada e policromada. No património destaca-se o pelourinho, um monumento da guerra de 1640 a capela do Senhor Santo Cristo, a Capela de S. Sebastião, a Capela de S. Simão e o imponente Cruzeiro de Santo Alvim. A Igreja é mencionada em 1395 estando incorporada na relação das igrejas do termo do Castelo Rodrigo. Nela podemos aprecia peças de arte sacra importantíssimas, destacando-se de tudo o conjunto artístico, o altar-mor de estilo barroco, com talha dourada, onde sobressaem esculturas interessantes, como por exemplo a de S. Miguel, padroeiro da freguesia, o tecto luso-mourisco é um dos poucos exemplares existentes em Portugal; O altar do Senhor do Veloso, a escultura do mártir S. Sebastião e mesmo a sacristia são bem elucidativos da grandiosidade da freguesia, pelo arcaz existente, havendo somente um similar na Sé Catedral da cidade de Viseu.

Muitas das peças artísticas indiciam origem que vai muito para além da arte popular, debatendo-se a ideia de algumas delas pertencerem à escola do célebre pintor renascentista, Grão-Vasco.

A igreja foi recentemente recuperada pelo IPAR, (Instituto do Património Arquitectónico de Portugal), mercê dos apoios financeiros provenientes do programa INTERREG. A imponente igreja de Escarigo revela-nos, um dos mais belos exemplares portugueses de tectos de marcenaria hispano-árabe (alfarge), sendo conhecidos, apenas 02 de qualidade superior, um na Sé Catedral da Cidade do Funchal na ilha da Madeira e outro no Palácio Nacional de Sintra.

A laçaria é graciosa, original e encontra-se em muito bom estado de conservação. A arte mudéjar caracteriza-se pela influência estética e das técnicas muçulmanas em terra cristã.

São maravilhosas estas coberturas, pela minúcia, pelo intenso cromatismo, luxo e jogo geométrico. Os tectos desta e de outras igrejas do género foram provavelmente elaborados no tempo do rei venturoso D. Manuel I de Portugal, no século XVI, época em que se construíram verdadeiras obras de arte em Portugal. Vejamos também o que nos diz o nosso Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, sobre este assunto:

“A igreja tem um retábulo barroco dos mais belos que o viajante viu até agora. Se tudo isso tivesse o vulgar e banal dourado-uniforme, não mereceria mais do que o olhar a quem não fosse especialista. Mas a policromia da talha à tão harmoniosa nos seus tons de vermelho, azul e ouro, com toques de verde róseo, que se pode estar uma hora a examiná-lo sem fadiga”.

Património

  • Igreja Matriz de São Miguel de Escarigo
  • Vista Parcial
  • Monumentos da Aldeia
  • Praça Isidro de Aguilar

Economia

Actividades económicas: agricultura e pecuária

Festas e Romarias

Nossa Senhora das Neves (1º Fim de Semana de Agosto) e S. Sebastião (Janeiro).